Quarta feira, 25 de janeiro de 2012. 17hs40ms.
Dr. Márcio, compenetrado, olhava para a tela e clicava. Espaços e cliques. Seus óculos um tanto embaçados parecia não atrapalhar. Podia eu ver a luz que refletia no seu rosto todo. A porta estava fechada. A sala estava às escuras, não fosse a luz da tela fazer a diferença. Eu estava atenta a detectar qualquer sinal de reprovação, do profissional, ao exame a que me submetia. "Nada sério penso. Nada sério." Encontrava-me, apenas de bermuda branca, deitada naquela maca do aparelho de ultrassom, ao qual havia uma parafernália de fios ligados, na rede elétrica. Pude ouvir o barulho do meu coração trabalhando dentro de mim. Oba! Nenhum sinal de arritmia, isso é ótimo e, com certeza, deve estar finalizando o exame. Pensei comigo. O Dr. Márcio manuseava o aparelho de ultrassom com agilidade, deslizando gelado, a área cardíaca, quando repentinamente tudo virou breu. Só ouvi um som de ah ah ah!..., rumores vindos de diversas salas. Minutos após, ouvia–se apenas conversas e cochichos como se a escuridão acalmasse que parecia até conversa de segredo . Tudo escuro. A luz dos celulares viraram improvisadas lanternas e os profissionais da área, saíram das salas e às portas, conversavam com os seus pacientes um tanto impacientes. Uma voz feminina pode-se ouvir em alto e bom som: - Vou aguardar a energia voltar porque o horário de encerramento das atividades são às 20hs00ms. Teresópolis é distante e vou aguardar a energia retornar. - e continuou: - Como é possível uma clínica, desse porte, num bairro nobre e também por se tratar de uma clínica médica não possuir gerador? Cadê o respeito humano? Isso é inadmissível em pleno século XXI. Vou sentar e aguardar.
O apagão seu deu num quarteirão do Leblon.
Breu no Leblon!
No dia seguinte em casa... na Urca.
Dr. Márcio, compenetrado, olhava para a tela e clicava. Espaços e cliques. Seus óculos um tanto embaçados parecia não atrapalhar. Podia eu ver a luz que refletia no seu rosto todo. A porta estava fechada. A sala estava às escuras, não fosse a luz da tela fazer a diferença. Eu estava atenta a detectar qualquer sinal de reprovação, do profissional, ao exame a que me submetia. "Nada sério penso. Nada sério." Encontrava-me, apenas de bermuda branca, deitada naquela maca do aparelho de ultrassom, ao qual havia uma parafernália de fios ligados, na rede elétrica. Pude ouvir o barulho do meu coração trabalhando dentro de mim. Oba! Nenhum sinal de arritmia, isso é ótimo e, com certeza, deve estar finalizando o exame. Pensei comigo. O Dr. Márcio manuseava o aparelho de ultrassom com agilidade, deslizando gelado, a área cardíaca, quando repentinamente tudo virou breu. Só ouvi um som de ah ah ah!..., rumores vindos de diversas salas. Minutos após, ouvia–se apenas conversas e cochichos como se a escuridão acalmasse que parecia até conversa de segredo . Tudo escuro. A luz dos celulares viraram improvisadas lanternas e os profissionais da área, saíram das salas e às portas, conversavam com os seus pacientes um tanto impacientes. Uma voz feminina pode-se ouvir em alto e bom som: - Vou aguardar a energia voltar porque o horário de encerramento das atividades são às 20hs00ms. Teresópolis é distante e vou aguardar a energia retornar. - e continuou: - Como é possível uma clínica, desse porte, num bairro nobre e também por se tratar de uma clínica médica não possuir gerador? Cadê o respeito humano? Isso é inadmissível em pleno século XXI. Vou sentar e aguardar.
O apagão seu deu num quarteirão do Leblon.
Breu no Leblon!
No dia seguinte em casa... na Urca.
- Telefone para a senhora - vinha ao meu encontro, a empregada, com o telefone à mão. É lá do apagão, de ontem. - Obrigada Maria.
-Sim, de onde falam?
-É da clínica...
-Pode sim ser as 16hs40ms, amanhã.
-Aguardamos o seu retorno então e nossas desculpas, em nome da clínica.
-Não há de quê. Mas, uma curiosidade apenas: - A que horas a energia voltou?
-As 19hs20ms, mais ou menos.
Obrigada - respondi.
Uma boa tarde. - Tão logo desligara lembrei-me da Senhora de Teresópolis que, provavelmente, fora atendida. Desta confusão toda mais uma vez constatei que quem é persistente, vence.
Amanhã, novamente, estarei no Leblon. Espero que seja sem apagão.
Breu, no 669, do Leblon!
-Sim, de onde falam?
-É da clínica...
-Pode sim ser as 16hs40ms, amanhã.
-Aguardamos o seu retorno então e nossas desculpas, em nome da clínica.
-Não há de quê. Mas, uma curiosidade apenas: - A que horas a energia voltou?
-As 19hs20ms, mais ou menos.
Obrigada - respondi.
Uma boa tarde. - Tão logo desligara lembrei-me da Senhora de Teresópolis que, provavelmente, fora atendida. Desta confusão toda mais uma vez constatei que quem é persistente, vence.
Amanhã, novamente, estarei no Leblon. Espero que seja sem apagão.
Breu, no 669, do Leblon!
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