Vestido em trapos,
Rasgado de tudo.
Caminha curvado.
Nas costas o fardo.
Senta na esquina
De uma rua qualquer.
Fixa o olhar.
Nem pede, sequer!
O corpo exala cheiro
Da falta do todo e água.
Parece ser carvoeiro,
Mas seu canto chora mágoa!
Seu canto conheço longe.
Seu passar me faz pensar.
Seu rosto me passa tristeza.
Sua canção, delicadeza!
Chora o andarilho da Urca
Nas calçadas a perambular.
No latão se direciona o
Seu prato cercear!
Deve o ser gritar aos céus!
Deus não há pra me ajudar!
Sou errante por destino
Sou eterno enquanto durar!
Vê o Cristo reluzente
Na noite a caminhar.
Sente o corpo enfraquecer
Senta e deita para adormecer!
A baia embala frágil
Suas águas para o mar.
O andarilho sonha saudades,
Do exílio, que deixou pra trás!
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