quinta-feira, 8 de março de 2012

O ANDARILHO DA URCA

Vestido em trapos,
Rasgado de tudo.
Caminha curvado.
Nas costas o fardo.

Senta na esquina
De uma rua qualquer.
Fixa o olhar.
Nem pede, sequer!

O corpo exala cheiro
Da falta do todo e água.
Parece ser carvoeiro,
Mas seu canto chora mágoa!

Seu canto conheço longe.
Seu passar me faz pensar.
Seu rosto me passa tristeza.
Sua canção, delicadeza!

Chora o andarilho da Urca
Nas calçadas a perambular.
No latão se direciona o
Seu prato cercear!

Deve o ser gritar aos céus!
Deus não há pra me ajudar!
Sou errante por destino
Sou eterno enquanto durar!

Vê o Cristo reluzente
Na noite a caminhar.
Sente o corpo enfraquecer
Senta e deita para adormecer!

A baia embala frágil
Suas águas para o mar.
O andarilho sonha saudades,
Do exílio, que deixou pra trás!

Nenhum comentário:

Postar um comentário