" Venha e perceba."
Percepção é algo para poucos, depois. Percepção! Nascemos puros, indefesos, sem noção do mundo, de sentidos, mas, o choro na chegada deste planeta e a perda do aconhego absoluto do ventre materno é a nossa primeira reação à um habitat desconhecido e frustrante. O desamparo, inércia real do momento, é extremamente indesejável cuja calma retorna quando o ser é posto no colo -mater associando percepção ao seu primeiro contato físico do calor emanado e conhecido. O que pensar então sobre a percepção? - Muitas são as formas no meu modesto modo de pensar que, só percebe quem sente, quem se preocupa, quem chora, quem esbraveja, quem olha e vê, o cego, a criança, o velho e vários mais que poderia citar. O verdadeiro sentido de perceber, para mim, é despojar-se de si para poder penetrar às entranhas de qualquer ser desvalido indiferente à todos, seja por que circunstância fosse, o cão velho que late diuturnamente de dor pela invalidez das pernas trazeiras à espera de seu dono ausente, o andarilho com seu fardo às costas de canto triste que perambula pelas ruas da cidade sob o sol escaldante e ao relento, o velho à fila, entre tantas, à obter o recurso médico com seu olhar triste e desesperançoso, sentir a dor da mãe perante o filhinho trucidado pelas guerras e balas perdidas e ou apenas sentir a presença forte de algo semi-enterrado sob os vasos de folhagens num pequeno quiosque, entre aromas de flores, da Zona Sul. Uma atração imediata senti. - É um Buda feliz ! Posso ver? - A vontade. Você é a primeira pessoa que o percebeu neste lugar úmido, escondido e há tempos permanece ali sem destino. - Voce quer se desfazer dele?
Percepção!
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