sexta-feira, 9 de novembro de 2012

HOJE EU VI


 A decadência em metros quadrados
O tempo corroer a estagnação
A brecha no tampo no tempo
As estátuas cansadas envelhecidas
O restauro mal acabado
Letras faltantes e números sequenciados
Corredores mais largos, outros atravancados.
Sacos de lixo com caliça e folhas de coqueiros.
Pessoas cerceando sem saber onde.
Homens sentados e uniformizados de etnias diversas,
Visão panorâmica disforme de gritos sem dor
O turista gringo com cavalete e máquina
Perguntando por Tom Jobim
Vi Cazuza no castelo de granito rosa
Olhei em volta, a favela um pouco acima,
Do mausoléu de mármore de Carrara
O sol ofuscou meu olhar o suor escorreu
Tentei rezar, mas continuei a andar
O enorme portão de ferro inda longe.
Hoje, adentrei, vi e senti um pouco
A solidão da vida eterna.

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